segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Odeio Segunda-Feira

Por Fernando R. V. Fernandes

Antes de tudo, quero esclarecer que não sou um preguiçoso incondicional (talvez um pouco situacional, mas só isso). O que não me agrada no primeiro dia útil da semana não é o início de mais uma jornada de trabalho, mas o resto da improdutividade alheia.

Explico: sempre que o trabalho não exige meus fins de tarde e/ou início de noite, gosto de fazer uma caminhada pela cidade, correndo alguns trechos do percurso. Já me queixei algumas vezes, na coluna do colega Linguaditrapo, de problemas na estrutura de algumas das principais avenidas da cidade.

Um dos episódios envolveu alguns bueiros, um dos quais permaneceu cerca de 9 meses com a tampa em cacos, e outros que têm suas tampas sistematicamente removidas quando ocorre uma chuva mais forte. Mas os motivos que me levam a escrever estas linhas não se referem à inação do poder público, mas à ação e falta de educação de alguns cidadãos.

Vejamos: chega a sexta-feira e a juventude sai para a “balada”. Fim de semana adentro o que se vê e ouve são carros rasgando o silêncio da noite, seja com o rugido dos motores ou com as batidas de algum ritmo tocado no último volume. O que não entendo mesmo são os motivos que levam estas pessoas a divertirem-se atirando garrafas long neck pelas janelas dos carros, enchendo as ruas com seus cacos.

No quadrilátero formado pelas avenidas Paraná, Duque de Caxias (ou Venezuela, ou Rosa Cirilo de Castro, seja qual for o nome desta singularidade vial iguaçuense) e República Argentina, o que mais se vê nas segundas-feiras são restos de garrafas espatifados pelas calçadas e pelo asfalto.

Não é raro, também, deparar-se com alguém arrancando aquele incômodo “caquinho” da sola do tênis, ou deixando a calçada para correr pelo asfalto nos trechos em que é impossível manter-se na calçada. Vez ou outra, lá está um automóvel com o pneu furado. O motivo? Acho que não preciso dizer.

Os pontos de referência onde encontrar tais armadilhas são bem conhecidos: as proximidades das boates, bares, pizzarias, lanchonetes e, acreditem, postos de gasolina.

Uma vez, em meus tempos de faculdade, um professor comentou que “a ignorância de um povo se mede pelo número de lombadas nas ruas”. Concordo plenamente. E acrescento: para medir a necessidade de auto-afirmação de uma juventude sem perspectiva, basta olhar para as garrafas espatifadas no chão da cidade em uma segunda-feira (e contar os adolescentes sonolentos nas carteiras escolares pela manhã).

E, para fazer justiça ao primeiro dia útil da semana, é preciso dizer que existem coisas que só não acontecem na segunda-feira, como a cena retratada na foto ao lado (clique para ampliar), fotografada em frente a uma das mais novas pizzarias da Av. República Argentina. Não há como um pedestre andar pela calçada nos dias em que o estabelecimento funciona. Claro, este é só um dos exemplos: a cena se repete em diversos pontos da mencionada avenida (e de outras também). Não precisa andar muito para ver.

Para não perder o costume, segue uma música para refletir.



quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Negociando Com Sequestradores

Por Fernando R. V. Fernandes

Imagens falam mais do que palavras, portanto, não pretendo tornar esta postagem uma extensa discussão. Recebi as imagens abaixo de um colega, por e-mail, em formato "Power Point". Raramente abro este tipo de arquivo, deletando-os assim que chegam, mas o título deste me chamou a atenção: "Diálogo com Seqüestrador na China".

Como, no meu conceito, os chineses não tornaram-se a potência que hoje são por acaso, resolvi dar uma olhada, e valeu a pena. Um bom exemplo para refletir.

Clique nas setas para navegar entre as imagens.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Bush à Moda Venezuelana

Por Fernando R. V. Fernandes

É incrível como as pessoas mudam rapidamente de opinião quando é “o seu” que está na reta. O que antes era abominado passa a ser a melhor opção, justa e necessária para o bem de todos. Claro, até que “os outros” pensem em fazer o mesmo.

A crise hipotecária nos Estados Unidos levou o Governo Bush a tomar uma atitude antes atribuída aos “totalitaristas sul-americanos”: apossar-se de empresas privadas para “salvar o país” do risco iminente. Apesar de todo o floreio com que a notícia foi dada, na prática, o que Bush fez com a Fannie Mae e a Freddie Mac foi apossar-se das empresas sem o menor pudor.

Vejamos os dados: Bush anunciou que assumirá imediatamente US$ 1 bilhão em ações de cada uma das empresas. Esse valor pode subir a um teto de US$ 100 bilhões caso seja necessário. Uma atitude nobre? Nem tanto, quando se considera que, de agora em diante, a empresa tem a obrigação de pagar em primeiro lugar ao Governo, para depois devolver o dinheiro aos seus acionistas preferenciais e comuns.

Trocando em miúdos, na hipótese de que as empresas em questão venham a quebrar, o governo fica com o filé, enquanto as pessoas que investiram na sua criação e aquelas que apostaram nas companhias durante sua trajetória têm de dividir “a carcaça” que sobrar.

Ora, quando o venezuelano Hugo Chávez decidiu recuperar o petróleo de seu país, não foram os americanos os primeiros a espernear? Claro, o método usado por Chávez foi diferente do usado por Bush mas, em essência, ambos resultam na mesma situação: empresas antes privadas passando a serem controladas pelo Estado.

Quando Evo Morales, da Bolívia, nacionalizou o gás, foi a vez dos brasileiros chorarem porque perderam a “chupeta”. Nos casos sul-americanos, a atitude dos respectivos governos foi vista como uma manobra populista de governos de esquerda. No caso americano, salvo alguma exceções, fala-se em uma tentativa de salvar a maior economia mundial?

Antes de prosseguir, quero deixar algo claro: este texto não é uma defesa de Chávez ou Morales. É uma constatação de que discursos e ações mudam de acordo com a conveniência. “Pimenta no dos outros é refresco”, “mas se tentar vir pro meu lado, eu arrebento!”.

A questão é que, diferente do que pregam os livros didáticos, o colonialismo/imperialismo não morreu com a independência das ex-colônias africanas e sul-americanas. O que acontece é que hoje os impérios não são estatais, são privados, e não dominam países inteiros, somente o que eles têm de melhor, como seu petróleo, gás, água ou energia. Estes impérios modernos, claro, são guiados pela famosa “mão invisível” que promete um mercado para todos, mas presenteia a poucos.

Ultimamente tem crescido a consciência dos países ditos “em desenvolvimento” de que os ganhos obtidos por suas riquezas naturais são seus, e de ninguém mais. Aliás, esta é uma das idéias de Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia, que prega também que, quando o dono do recurso natural não dispõe dos recursos financeiros para desfrutar dos ganhos potenciais que a natureza lhe oferece, deve pagar um valor justo (no sentido literal da palavra) para aqueles que possam auxiliá-lo a extrair da natureza seu potencial, sempre de forma “sustentável”.

O que acontece hoje no mundo é que as “colônias” estão tomando consciência de sua situação e, se não dispõem da força necessária para emanciparem-se, estão dispostos a reuni-la ou a enfraquecer os “impérios”. E a maioria delas não se importa de ter uma imagem negativa diante da “nobreza” se isso resultar na liberdade que desejam. O medo deixa de funcionar como repressor quando não se tem mais nada a perder.

Em Tempo: Não fazia parte da intenção original deste texto voltar a tocar no tema Itaipu, mas ao ler o noticiário paraguaio de hoje me deparei com a notícia de que os industriais paulistas criticaram a forma como o governo Lula tem atuado frente às reivindicações paraguaias sobre a binacional. “O Brasil é um país com interesses concretos, não uma fundação filantrópica”, dizem “os mano”.

Pois bem, alguém deve lembrá-los que o Paraguai, tampouco, é uma fundação filantrópica, para financiar os grandes lucros da indústria brasileira às custas de sua soberania. Enquanto a indústria brasileira não enfrentar dificuldades em conseguir insumos baratos (mão-de-obra, matéria-prima, energia, etc.), não vai se esforçar em investir em áreas que realmente diferenciam uma empresa atualmente: tecnologia, processos e, principalmente, pessoas.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Itaipu e os Jogos Olímpicos

Por Fernando R. V. Fernandes

Depois de frenéticos dias de competição, a edição 2008 dos Jogos Olímpicos encerraram-se com uma festa invejável. Mais que sua expressão como evento máximo do esporte mundial, esta edição dos jogos reviveu os velhos tempos da guerra fria, e foi marcada pela feroz disputa (política) entre China e Estados Unidos.

Diferente do que a maioria de nós pode pensar, no entanto, a batalha olímpica ainda não se encerrou. Só por curiosidade, decidi conferir o que os ianques andam dizendo sobre seu desempenho nos jogos. Para tanto, dei uma olhada no site de um dos maiores jornais estadunidenses, o New York Times e, como esperado, deparei-me com um quadro de medalhas ordenado pelo total geral, com os Estados Unidos na liderança.

Tradicionalmente, o ranking de medalhas olímpicas é estabelecido com base nas medalhas de ouro, como o leitor poderá conferir em uma rápida pesquisa no onisciente google, em qualquer língua que não seja o inglês. Com este critério, a supremacia chinesa é indiscutível.

Mas, como disse antes, há uma questão política atrás dos dados publicados. Os estadunidenses acostumaram-se a ver-se como os melhores do mundo. “O segundo lugar fede”, expressão utilizada por um dos “atletas” do filme “Falcão, Punhos de Aço”, representa muito bem a mentalidade do povo em questão e, ao perceber de que precisavam de um banho, preferem disfarçar por um perfume.

Curiosamente, situação semelhante protagonizam atualmente Brasil e Paraguai quando o tema são os valores pagos pelo Brasil à energia paraguaia produzida em Itaipu. Enquanto alguns meios de imprensa e figuras políticas brasileiras chegam a incluir no valor pagamento pela energia citada valores como os royalties (que ambos os países recebem), no lado paraguaio o movimento é no sentido contrário.

Imprensa e políticos paraguaios trabalham batem o pé em questões mais técnicas, citando dados oficiais (inclusive brasileiros) para provar que, dos “impressionantes” US$ 45,00 pagos pelo Brasil pelo megawatt/hora (Mwh) da energia paraguaia em questão, cerca de 94% são o custo. Assim bem ilustrou o ABC Color, que por meio de uma conta simples de divisão chegou ao valor de US$ 2,67 sobre o custo do Mwh.

A informação é uma arma poderosa, seja em uma guerra esportiva, política, econômica, histórica, ou no sentido mais tradicional da palavra. Sun Tzu já o dizia e, os mais diversos conflitos mundiais não se esqueceram. Para nós, que estamos no meio do fogo cruzado, o melhor é olhar atentamente ao redor, para evitar uma “bala perdida”.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Muito Esforço “Pra Doha Nenhuma”

Por Fernando R. V. Fernandes

Rodada de Doha não deu em Doha nenhuma”. Este foi o trocadilho utilizado pelo programa “Casseta&Planeta”, da RGT, para definir o desfecho das negociações pela liberalização do comércio mundial. Como muitos meios de imprensa destacaram, porém, “Doha nenhuma” é uma forma bastante otimista de ver o fiasco da diplomacia brasileira.

A imagem do chanceler Celso Amorim (foto), com cara de “onde foi que eu errei”, dá uma boa idéia do estrago. Quem já atirou milho às galinhas deve conhecer bem a cena: você joga o milho de um lado, e as galinhas correm apressadas para pegar sua parte. Joga o milho do outro lado, e lá se vão as penosas de novo. A postura brasileira foi parecida, correndo na direção que indicava o “Plim! Plim!” (desta vez, das moedas).

Ao aceitar, nos instantes finais da negociação, a proposta dos países desenvolvidos, o Brasil deu as costas para seus aliados do Mercosul. Na Argentina, fala-se em traição. Especialistas prevêem “tensão” no Mercosul por conta da atitude “vira casaca” brasileira.

Ao menos isso serviu para que Argentina, Paraguai e Uruguai saibam com quem estão lidando: o país da Lei de Gérson (“o importante é levar vantagem em tudo”), que sempre utilizou o Mercosul para manter seus “aliados” na coleira. Mas, desta vez, ninguém saiu ganhando. Agora, vai ser interessante ver como a coisa vai evoluir.

Na Argentina, agricultores e Governo não estão “se bicando”. A atitude brasileira pode dar o argumento que Cristina Kirchner precisava para mitigar, ao menos em parte, o fiasco que foi sua tentativa de impôr as taxas flutuantes às exportações, apresentando uma trégua frente a um “inimigo” comum.

Chile e Uruguai já ofereceram seus portos para o uso Paraguaio. Uma oferta vantajosa, diga-se de passagem, uma vez que as sobretaxas que sofrem os produtos paraguaios ao passar por território brasileiro praticamente eliminam sua competitividade. O Chile mostra-se bastante atrativo, principalmente pelo fato de não ser necessário atravessar território brasileiro ou argentino para chegar lá.

E como o Brasil vai se virar daqui pra frente? Mais uma música para refletir: Aluga-se (Titãs).


terça-feira, 22 de julho de 2008

Uma Esmola Binacional

Por Fernando R. V. Fernandes


“Recordar é viver”, diz a sabedoria popular. Aproveitando a frase, transcrevo parte de um texto publicado no SopaBrasiguaia.com, no dia 07 de Março deste ano:

É curioso perceber que, conforme aumenta o clamor pela renegociação do Tratado por parte dos paraguaios, do lado de cá, Itaipu tem feito um esforço considerável para criar uma boa imagem. O destaque que a hidrelétrica tem conseguido na mídia, com eventos esportivos como as competições de canoagem, regatas e, mais recentemente, vôlei de “praia”, ilustram bem esse fato. Outra questão que pode ser citada como parte deste esforço é o anúncio recente de que parte do superávit (lucro) da entidade pode vir a ser convertido em bônus para os consumidores da energia de Itaipu.

Uma coisa é quase certa: se a oposição chegar ao poder no Paraguai, os brasileiros verão na mídia, mais do que nunca, o nome “Itaipu” associado a natureza, prosperidade e bem-estar, no melhor estilo das velhas propagandas do cigarro 'Marlboro'”.

Pois bem, o rateio de que fala o texto acima agora é oficial, conforme pode-se ver na página 07 da Nota Técnica nº 149/2008-SRE/ANEEL. Neste documento, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) estabelece que os consumidores da energia de Itaipu que utilizam uma média de 350 Kilowatt/hora/mês receberão um bônus em sua conta de energia. O Bônus em questão é de R$ 0,0005 por Kw/hora, o que perfaz um total entre R$ 0,19 e R$ 2,16 ao ano por consumidor.

Para Itaipu, ao menos, foi um bom negócio. Apenas para ser breve, as matérias publicadas pela RPC, pelo Maracajú News e pelo Brasil Portais dão uma mostra da mídia espontânea que a medida acabou por gerar para a binacional (sem falar no próprio SopaBrasiguaia.com, afinal de contas, são ossos do ofício).

Diante disso, algumas questões não me saem da cabeça: com a dívida de Itaipu crescendo ano após ano, o mais lógico não seria poupar o referido montante, ainda que ínfimo diante da dívida da binacional, para quitar as pendências? Afinal, o Anexo C do Tratado de Itaipu estabelece que “a receita anual, derivada dos contratos de prestação dos serviços de eletricidade, deverá ser igual, a cada ano, ao custo do serviço estabelecido neste anexo”, ou seja, o lucro/superávit deve ser zero.

Outra questão: se é preciso distribuir o superávit, ao invés de “espalhar migalhas” pelo Brasil, não seria melhor oferecer “pequenos pães” a determinados setores necessitados? Afinal de contas, R$ 2,19 por ano não mudarão a vida de ninguém, mas pagar um salário mais digno aos empregados terceirizados, por exemplo, que diariamente servem aos funcionários de Itaipu poderia fazer uma diferença considerável para algumas dezenas de famílias. Ora, os funcionários de Itaipu recebem, anualmente, sua participação nos resultados da empresa, porque não permitir àqueles que todo ano “presenciam a festa pela janela” participar também, com um salário ou um “abono” melhor? E, diante das barreiras burocráticas, há sempre a possibilidade de ajudar uma instituição de caridade, investir em educação e na mitigação de impactos sociais decorrentes da própria construção da usina.

Uma música para refletir: Até quando esperar? (Plebe Rude)


sexta-feira, 18 de julho de 2008

Uma Lei Seca

Por Fernando R. V. Fernandes

Agora é lei: “Dirigiu e bebeu? Se fu...”. Apesar de ser chegado numa cervejinha, já estava na hora de o Brasil ter uma lei decente quanto à perigosa combinação entre bebida e direção. É como se diz: quando a criança é mal educada, a solução é a palmatória.

Como quase tudo no mundo, a “lei seca” tem um lado positivo e um lado negativo. Longe de querer elaborar uma extensa lista de cada categoria, passo a uma breve descrição de situações levantadas em meios de imprensa e, em alguns casos, constatadas pessoalmente.


O Lado Bom

O principal benefício da lei seca já é refletido pelas estatísticas: em São Paulo, por exemplo, a Secretaria de Segurança Pública aponta uma redução de 57% nas mortes em acidentes de trânsito após a vigência da nova lei, em levantamento realizado em três unidades do IML paulista. Previsões apontam que no início de 2009 o preço dos seguros de automóveis deve cair entre 10% e 20%.

Outro ponto positivo a ser citado pode até parecer discurso dos famosos “profetas políticos”, mas a geração de renda para certas classes já começa a ser sentida. Que o digam os taxistas que, principalmente nas grandes cidades, têm apreciado um sensível aumento no número de corridas noturnas. Há também os casos mais curiosos, como o do senhor Alexandre Alves, da Paraíba, que cobra R$ 1,00 para levar para casa os bêbados de plantão... a bordo de um carrinho de mão! “O gordinho é mais pesado, custa R$ 2,00”, explica.

Acredito também que a nova lei deve promover uma “redistribuição” do mercado de bares, principalmente nos bairros. Diante da impossibilidade de dirigir após a “birita”, a tendência é que as pessoas busquem bares mais próximos de suas casas. Há também a possibilidade de que se passe a comprar a cervejinha para beber em casa, durante um churrasco, ou após o futebol.


Lado Ruim

Como nem tudo são flores, alguns pontos devem ainda causar muita controvérsia até que a lei efetivamente “pegue”. O programa “Casseta & Planeta” previu que o preço da “cervejinha” (a do guarda), deve subir. Eu, particularmente, acredito que o que ocorrerá é um “aumento das vendas”.

Vejamos: na lei antiga, alguém que tivesse menos de 6 decigramas de álcool por litro de sangue (resultado do “bafômetro” até 0,30), não sofria qualquer sanção. Na nova lei, a partir de 2 decigramas por litro (resultado do bafômetro superior a 0,10), o motorista já é multado. Se o resultado for igual ou superior aos 0,30 anteriormente permitidos, é cadeia.

O problema é que a população em geral (incluindo as forças policiais), estão acostumados a tolerar valores abaixo de 0,30. Diante de resultados anteriormente permitidos, as chances de ofertas de suborno são maiores, devido ao fato de muitos motoristas já terem sido parados e prosseguido na direção em ocasiões anteriores. Com o aumento da tentação, é quase certo que alguns policiais deixem-se seduzir pelas ofertas. A coisa complica-se ainda mais quando o motorista que não está visivelmente embriagado recusa-se a usar o “bafômetro”, ou a polícia não dispõe do equipamento.

Outra questão é a determinação de prender motoristas que apresentem resultado superior a 0,30 nos “bafômetros”. As penas variam de 6 meses a 3 anos de prisão. O problema é que o sistema prisional brasileiro, ao invés de recuperar detentos, transforma-os em marginais ainda piores. Corre-se o risco de prender um bêbado e devolver à sociedade um ladrão, traficante, assassino ou coisa pior. Nesse ponto os presídios assemelham-se aos famosos títulos de capitalização: paga-se uma pequena quantia agora, e recebe-se tudo de volta com juros e correção.

Há também a questão do álcool em família. Cercados de pais, tios, irmãos e primos que passam os finais de semana em casa, jogando conversa fora e tomando a popular “cervejinha”, esta é a imagem de diversão que se passa às crianças. Sem falar no fato de que, para os adolescentes, a ingestão de álcool representa uma espécie de “rito de passagem”.

A questão agora é esperar para ver como a questão vai se desenrolar daqui por diante.

Em tempo - Lembro-me agora de um colega de faculdade que dizia: “em Foz do Iguaçu, sair sem carro é a mesma coisa que deixar o pinto em casa”. Já um colega de trabalho afirmava que o álcool é a única coisa que permite a muitas pessoas vencer sua timidez e ter uma vida social. Estaríamos diante de uma lei torne possível classificar as pessoas entre “brochas" e "sociofóbicos”?

Eze cara é muito caladão..."Intão, dotô, é por izo que eu ando a pé..."

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