Antes de tudo, quero esclarecer que não sou um preguiçoso incondicional (talvez um pouco situacional, mas só isso). O que não me agrada no primeiro dia útil da semana não é o início de mais uma jornada de trabalho, mas o resto da improdutividade alheia.Explico: sempre que o trabalho não exige meus fins de tarde e/ou início de noite, gosto de fazer uma caminhada pela cidade, correndo alguns trechos do percurso. Já me queixei algumas vezes, na coluna do colega Linguaditrapo, de problemas na estrutura de algumas das principais avenidas da cidade.
Um dos episódios envolveu alguns bueiros, um dos quais permaneceu cerca de 9 meses com a tampa em cacos, e outros que têm suas tampas sistematicamente removidas quando ocorre uma chuva mais forte. Mas os motivos que me levam a escrever estas linhas não se referem à inação do poder público, mas à ação e falta de educação de alguns cidadãos.
Vejamos: chega a sexta-feira e a juventude sai para a “balada”. Fim de semana adentro o que se vê e ouve são carros rasgando o silêncio da noite, seja com o rugido dos motores ou com as batidas de algum ritmo tocado no último volume. O que não entendo mesmo são os motivos que levam estas pessoas a divertirem-se atirando garrafas long neck pelas janelas dos carros, enchendo as ruas com seus cacos.
No quadrilátero formado pelas avenidas Paraná, Duque de Caxias (ou Venezuela, ou Rosa Cirilo de Castro, seja qual for o nome desta singularidade vial iguaçuense) e República Argentina, o que mais se vê nas segundas-feiras são restos de garrafas espatifados pelas calçadas e pelo asfalto.
Não é raro, também, deparar-se com alguém arrancando aquele incômodo “caquinho” da sola do tênis, ou deixando a calçada para correr pelo asfalto nos trechos em que é impossível manter-se na calçada. Vez ou outra, lá está um automóvel com o pneu furado. O motivo? Acho que não preciso dizer.
Os pontos de referência onde encontrar tais armadilhas são bem conhecidos: as proximidades das boates, bares, pizzarias, lanchonetes e, acreditem, postos de gasolina.
Uma vez, em meus tempos de faculdade, um professor comentou que “a ignorância de um povo se mede pelo número de lombadas nas ruas”. Concordo plenamente. E acrescento: para medir a necessidade de auto-afirmação de uma juventude sem perspectiva, basta olhar para as garrafas espatifadas no chão da cidade em uma segunda-feira (e contar os adolescentes sonolentos nas carteiras escolares pela manhã).
E, para fazer justiça ao primeiro dia útil da semana, é preciso dizer que existem coisas que só não acontecem na segunda-feira, como a cena retratada na foto ao lado (clique para ampliar), fotografada em frente a uma das mais novas pizzarias da Av. República Argentina. Não há como um pedestre andar pela calçada nos dias em que o estabelecimento funciona. Claro, este é só um dos exemplos: a cena se repete em diversos pontos da mencionada avenida (e de outras também). Não precisa andar muito para ver.Para não perder o costume, segue uma música para refletir.

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