“Rodada de Doha não deu em Doha nenhuma”. Este foi o trocadilho utilizado pelo programa “Casseta&Planeta”, da RGT, para definir o desfecho das negociações pela liberalização do comércio mundial. Como muitos meios de imprensa destacaram, porém, “Doha nenhuma” é uma forma bastante otimista de ver o fiasco da diplomacia brasileira.
A imagem do chanceler Celso Amorim (foto), com cara de “onde foi que eu errei”, dá uma boa idéia do estrago. Quem já atirou milho às galinhas deve conhecer bem a cena: você joga o milho de um lado, e as galinhas correm apressadas para pegar sua parte. Joga o milho do outro lado, e lá se vão as penosas de novo. A postura brasileira foi parecida, correndo na direção que indicava o “Plim! Plim!” (desta vez, das moedas).
Ao aceitar, nos instantes finais da negociação, a proposta dos países desenvolvidos, o Brasil deu as costas para seus aliados do Mercosul. Na Argentina, fala-se em traição. Especialistas prevêem “tensão” no Mercosul por conta da atitude “vira casaca” brasileira.
Ao menos isso serviu para que Argentina, Paraguai e Uruguai saibam com quem estão lidando: o país da Lei de Gérson (“o importante é levar vantagem em tudo”), que sempre utilizou o Mercosul para manter seus “aliados” na coleira. Mas, desta vez, ninguém saiu ganhando. Agora, vai ser interessante ver como a coisa vai evoluir.
Na Argentina, agricultores e Governo não estão “se bicando”. A atitude brasileira pode dar o argumento que Cristina Kirchner precisava para mitigar, ao menos em parte, o fiasco que foi sua tentativa de impôr as taxas flutuantes às exportações, apresentando uma trégua frente a um “inimigo” comum.
Chile e Uruguai já ofereceram seus portos para o uso Paraguaio. Uma oferta vantajosa, diga-se de passagem, uma vez que as sobretaxas que sofrem os produtos paraguaios ao passar por território brasileiro praticamente eliminam sua competitividade. O Chile mostra-se bastante atrativo, principalmente pelo fato de não ser necessário atravessar território brasileiro ou argentino para chegar lá.
E como o Brasil vai se virar daqui pra frente? Mais uma música para refletir: Aluga-se (Titãs).

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